Versos Portuguese A. A. Soares de Passos (Fragmento Do Poema De «Carthon»)

Portuguese poem

(Fragmento Do Poema De «Carthon»)

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Ó tu que rolas n'esse campo ethereo, Semelhante ao broquel dos meus passados, D'onde vem os teus raios, sol brilhante? D'onde recebes tua luz eterna? Tu despontas solemne e magestoso; As estrellas se escondem quando passas, A lua fria e pallida mergulha Nas vagas do occidente; e tu caminhas Solitario nos céos. Quem na carreira Te póde acompanhar? Os altos robles Baqueiam das montanhas, e ellas mesmas Sob o pêso dos annos se arruinam; O oceano ora se eleva, ora se abaixa; A propria lua na amplidão fenece: Só tu caminhas sempre, e sempre o mesmo, E de tanto fulgor te vanglorías! Quando a borrasca entenebrece o mundo, Quando rolam trovões, e adeja o raio, Tu olhas d'entre as nuvens sobranceiro, E sorris da tormenta! Mas debalde Olhando Ossian procuras, que os teus raios Ossian não mais verá, quer teus cabellos Em nuvens orientaes flammejem soltos, Quer descendo os espaços estremeças Ás portas do occidente. Sol, um dia Talvez como eu serás; talvez, quem sabe? Dos annos teus acabarás o gyro, E insensivel á voz da madrugada, Em tuas nuvens ficarás dormindo. Mas folga, folga entanto magestoso No verdor de teus annos: a velhice É solitaria e triste; é semelhante Ao clarão melancholico da lua Quando brilha entre nuvens, quando o norte Revôa na planicie, e o caminhante Pára convulso e de pavor transido.