Versos Portuguese Abade de Jazente Tudo se muda: o génio unicamente

Portuguese poem

Tudo se muda: o génio unicamente

by (1719–1789)

Listen in the reader

Tudo se muda: o génio unicamente Em ser constante nos mortais porfia, Connosco a vir ao mundo principia, Connosco morre, e nunca se desmente.

Ele as paixões na idade mais florente, Ele as acende na velhice fria: É sempre o mesmo, e em nada se varia Por mais que à vida a duração se aumente.

Dissimula-se sim, mas qualquer hora, Apesar da mais rígida cautela, Nos entrega cruel, e as faces cora.

Assim o antigo ardor, que me atropela, Assim me incita, ó Nize, a que inda agora Te adore amante, e te celebre bela.