Portuguese poem
Oitavas a Napoleão
by Abigaíl Lozano (1821–1866)
(TRADUCÇÃO DO HESPANHOL DE LOZANO)
Não foram as cidades, que brandiram As torres como facho... e te aclararam... Quem foi? Silencio!... tremulo de medo Vejo apenas — um mar... vejo um — rochedo.
A terra, o mar, os céos... espaço estreito Eram p′ra tua planta de gigante. Para tecto dos paços teus foi feito O firmamento colossal, fluctuante Como diadema — os sóes... E como leito O antarctico pólo de diamante... Teu feretro, qual foi?... Titão do Sena, O penhasco fatal de Santa Helena...
Assassina do Encelado da guerra Só tu foste, Albion... do mar senhora... Porque? Por um pedaço ahi de terra Foi pedir-te o gigante em negra hora... E lhe deste um penhasco... Oh! lá s′encerra Tua lenda mais horrida... Traidora! Lá seu espectro envolto na mortalha Aos quatro céos a maldição espalha...
Ao leão que temias, enjaulaste; E de longe escutando seu rugido, Tu, senhora do mar... tu desmaiaste! Pelo punhal traidor elle ferido
Cahiu-te aos pés... Então tu respiraste, Cobarde vencedora do vencido... Nem mesmo todo o oceano poderia Lavar este padrão de covardia...
Tu não és tão culpada!... Aonde estava A França tão potente e tão temida?... Oh! por que o não salvou?... se o contemplava Lá dos gelos dos Alpes — soerguida?!... E elle que a fez tão grande?... Ella folgava!... Emquanto ao longe do colosso a vida Como um vulcão antigo e moribundo Lento expirava nesse mar profundo.