Portuguese poem
O ramo verde
by Adelina Lopes Vieira (1850–1923)
Frederico era estouvado, não aceitava conselhos; ria e zombava, coitado! das sábias lições dos velhos.
Sofia, meiga criança, era o contraste perfeito do irmão, uma pomba mansa sem o mais leve defeito.
Dera o papai aos pequenos dois canteiros bem plantados, em tudo iguais; mas em menos de um mês estavam mudados.
O de Sofia, que encantos! Tinha fartura de rosas, cravos, baunilha, agapantos, e violetas perfumosas.
No outro havia mamona, urzes, trifólios, urtigas e uns restos de manjerona já roída das formigas.
Foram à tarde a passeio no jardim os dois; Sofia colhia rosas; em meio disse ao irmão: — que alegria!
Vou dar à mamãe um ramo das minhas amadas flores! a sua alcova embalsamo e alcanço beijos e amores!
— Dás-me esta rosa encarnada, Sofia, p'ra o seu cabelo? — Dou, mas não levas mais nada; corrige o teu desmazelo.
, nem pôr pé em ramo verde.
Só assim terás emenda! — Tens graça, linda agoireira; vais ver, minha doce prenda, se a sentença é verdadeira.
Disse, e subiu apressado a verde acácia frondosa, e lá, de um ramo delgado, gritou à irmã receosa:
— Não vês o ramo... sensata? o pisá-lo não me aterra... Mal acabara a bravata, partiu-se o ramo, ei-lo em terra.
Na queda quebrou um braço, Sofia teve um fanico... Mas deixou de ser madraço o pequeno Frederico.