Versos Portuguese António Florêncio Ferreira Xxix

Portuguese poem

Xxix

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Ó corações lacerados! Aguia que um dardo abateu! Mães que choraes vossos filhos, Quem me adorava--morreu!

Tenho a nossa despedida Tão gravada no meu peito, Que pode lêr-se inda quando Em cinzas eu seja feito!

Maldita, maldita a hora Em que te foste operar! Partiste, e não mais voltaste, Vidente da beira-mar!

Espelho a que se mirava Sem vaidades, quero vêr Dentro de ti, como outr'ora, Viva a imagem do seu ser!

Leito que prefiro a joias, Que hei de sempre conservar, Segreda-me os seus desvelos Quando a febre me assaltar!

Decorreu por largos tempos Nosso convivio risonho, E julgo durar instantes, E parece tudo um sonho!

Subiste ao céo! oh! sim, creio! Indigno de nelle entrar, Tenho a certeza, ao chamar-te, De me vires oscular!

Todos baixamos á terra Para um destino cumprir; O meu iguala o das aves: Cantar emquanto existir.

Canto-te como se estejas Ainda junto de mim! Que importa faltar o corpo, Se noss'alma não tem fim?

Meu doce amor, vem ouvir-me, Vem receber o meu pranto! Correi, correi, minhas lagrimas, Vós sois, tambem, mudo canto!

Mal dirias, quando algumas D'estas quadras te dictei, Qual seria o meu supplicio No remate que lhes dei!