Portuguese poem
Gentil infante, innocente
by Antonio Pereira da Costa Jubim (1848–1900)
Gentil infante, innocente, Por que ledo assim sorris? Oh! quem foi que docemente Sobre os labios de rubis Te imprimio com ternura Doce beijo de candura? Contas n’um riso a ventura Que tua voz bem não diz.
Sentiste algum niveo braço Unir-te ao seio d’amor Por mui terno, estrito laço, Com materno almo fervor? Com doce, innocente inleio Repoisaste em casto seio De meiguices, d’amor cheio Tua face de candor?
Como brincas, innocente? Como estendes a mão-sinha,
Como pareces contente P’ra quem meigo t’acarinha? Tua vida é só folgar, De collo em collo a pular; Todos te vem afagar Como a mui tenra pombinha.
Meu anjo, por que sorris Esse riso tão do céo? Como á innocencia condiz Esse divo sorrir teu! Oh! troquemos nossa vida — A minha, aos gozos fugida, Pela tua, não vivida, Por teu sorriso sem véo.
És tenro, lindo botão De mui linda branca rosa, Vives no seu coração, É comtigo venturosa: Cresce, cresce, linda flôr, E que nunca o dissabor Sobre ti verta o pallor Da sorte desventurosa.
Em manhã fagueira e bella Seja o teu desabrochar, Venha a doce philomela Os teus dotes decantar;
Possas tu bem conhecer Do mundo o vero prazer; Que não vejas fenecer Teus encantos, teu gozar.