Portuguese poem
Libelo republicano
by César Zama (1837–1906)
“Sem cerimônias, senhores, O Brasil está em leilão, Qualquer banqueiro ou barão Pode bem arrematá-lo…
“Tenho ordem de entregá-lo A quem dinheiro mais der… Vejam lá, quem quer? Quem quer? Tempo não tenho a perder.
“É pensar e oferecer Fazendo lance graúdo… Que vendo terras e tudo, Porém com dinheiro à vista…
“Silêncio, pois, que a lista, Passo a ler sem mais dentença E se alguma diferença Nela houver, não façam caso,
“Que desta terra o atraso, Ou sua prosperidade, Depende da habilidade De quem faz este pregão.
“Eis aqui a relação: Vinte Estados excelentes Com quinze milhões de gentes De caráter fraco e nobre.
“Seja rico ou seja pobre, — Rios, florestas gigantes, — Minas de ouro e brilhantes, Tudo vendo, meus senhores!
“Capitalistas, doutores — O Necrotério, a Intendência; E para que a paciência Não me falte finalmente,
“Em leitura tão ingrata Declaro solenemente Que vendo o Brasil inteiro — Do Amazonas ao Prata…!”
“Perguntou Deus quem fizera Esta república assim: Eu não sei quem disse que era O Benjamin.
“Foi o Benjamin chamado; Mas por modéstia ou decoro, Disse: antes fosse escutado O Deodoro.
“Foi o Deodoro… e querendo Não laborar num engano Disse: isto lá… só sabendo Do Floriano.
“Lá vai o Floriano agora Prestar contas do que fez; E assim se foram embora Todos três.
“O atual presidente É Prudente de Moraes… Uma pergunta prudente: Demorais?