Versos Portuguese Charles Baudelaire O albatroz

Portuguese poem

O albatroz

by (1821–1867)

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Às vezes no alto mar, distrai-se a marinhagem Na caça do albatroz, ave enorme e voraz, Que segue pelo azul a embarcação em viagem, Num vôo triunfal, numa carreira audaz.

Mas quando o albatroz se vê preso, estendido Nas tábuas do convés, — pobre rei destronado! Que pena que ele faz, humilde e constrangido, As asas imperiais caídas para o lado!

Dominador do espaço, eis perdido o seu nimbo! Era grande e gentil, ei-lo o grotescio verme!... Chega-lhe um ao bico o fogo do cachimbo, Mutila um outro a pata ao voador inerme.

O Poeta é semelhante a essa águia marinha Que desdenha da seta, e afronta os vendavais; Exilado na terra, entre a plebe escarninha, Não o deixam andar as asas colossais!