Versos Portuguese Cruz e Sousa Castelã

Portuguese poem

Castelã

by (1861–1898)

Listen in the reader

Bela e mais encantadora Do que todas as belezas, Graça leve de pastora Que canta pelas devesas.

Enleios de passarinho E brilhos de primavera, Com magnetismos de vinho No olhar azul de quimera.

Feita de um jorro sadio De auroras purpureadas Carne mais fresca que um rio De frescas águas prateadas.

Tudo é frio e tudo é raso Para dizer-te a capricho Que és magnólia para um vaso, Que és arcanjo para um nicho.

És um mito da Alemanha Vivendo em montanha alpestre, No castelo da montanha, Como ardente flor silvestre.

E tens as pomas à farta Polposas, cheias de aromas. És assim a loura Marta Com abundância de pomas.

Esse príncipe que te ama, Cismando, trágico e grave, quando o luar se derrama Cuida ouvir-te os vôos de ave.

Ele vive, airoso e belo, Como se vive num sonho, No seu nevoento castelo Junto de um lago tristonho.

E através do pó flutuante Do luar saudoso e vago Julga que és a garça errante Das águas verdes do lago.