Portuguese poem
O Anjo da Redenção
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Soberbo, branco, etereamente puro, Na mão de neve um grande facho aceso, Nas nevroses astrais dos sóis surpreso, Das trevas deslumbrando o caos escuro.
Portas de bronze e pedra, o horrendo muro Da masmorra mortal onde estás preso Desce, penetra o Arcanjo branco, ileso Do ódio bifronte, torso, torvo e duro.
Maravilhas nos olhos e prodígios Nos olhos, chega dos azuis litígios Desce à tua caverna de bandido.
E sereno, agitando o estranho facho, Põe-te aos pés e a cabeça, de alto a baixo, Auréolas imortais de Redimido!