Versos Portuguese Cruz e Sousa Pelas esferas, nuvens peregrinas

Portuguese poem

Pelas esferas, nuvens peregrinas

by (1861–1898)

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Pelas esferas, nuvens peregrinas, Brandas de toques, encaracoladas, Passam de longe, tímidas, nevadas, Cruzando o azul sereno das colinas.

Sombras da tarde, sombras vespertinas Como escumilhas leves, delicadas, Caem da serra oblonga nas quebradas, Vão penumbrando as coisas cristalinas.

Rasga o silêncio a nota chã, plangente, Da Ave-Maria, — e então, nervosamente, Nuns inefáveis, espontâneos jorros

Esbate o luar, de forma admirável, Claro, bondoso, elétrico, saudável, Na curvilínea compridão dos mortos.