Versos Portuguese Cruz e Sousa Tuberculosa

Portuguese poem

Tuberculosa

by (1861–1898)

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Alta, a frescura da magnolia fresca, Da côr nupcial da flôr da laranjeira, Doces tons d'ouro de mulher tudesca Na velludosa e flava cabelleira.

Raro perfil de marmores exactos, Os olhos de astros vivos que flammejam, Davam-lhe o aspecto excentrico dos cactus E esse alado das pombas, quando adejam...

Radiava n'ella a incomparavel messe Da saude brotando vigorosa, Como o sol que entre névoas resplandésce, Por entre a fina pelle côr de rosa.

Éra assim luminosa e delicada, Tão nobre sempre de belleza e graça Que recordava pompas de alvorada, Sonoridades de crystaes de taça.

Mas, pouco a pouco, a ideal delicadeza D'aquelle corpo virginal e fino, Sacrario da mais limpida belleza, Perdeo a graça e o brilho diamantino.

Tysica e branca, esbélta, frigida e alta E fraca e magra e transparente e esguia, Tem agora a feiçio de ave pernalta, De um passaro alvo de apparencia fria.

Mãos lyriaes e diaphanas, de neve, Rosto onde um sonho aéreo e polar fluctúa, Ella apresenta a fluidez, a leve Ondulação da vaporosa lua.