Portuguese poem
Já não posso ser contente
by Diogo Bernardes (1530–1596)
Já não posso ser contente, tenho a esperança perdida. Ando perdida entre a gente, nem mouro, nem tenho vida.
Prazeres que tenho visto, onde se foram? qu’é d’elles? Fôra-se a vida co’elles! Não me vira agora nisto! Vejo-me andar entr’a gente Como cousa esquecida: Eu triste, outrem contente, Eu sem vida, outrem com vida.
Vieram os desenganos, acabaram os receios: Agora choro meus danos e mais choro bens alheios: passou o tempo contente, e passou tão de corrida que me deixou entr′ a gente sem esperança de vida.