Versos Portuguese Fernando Pessoa Durmo, cheio de nada, e amanhã

Portuguese poem

Durmo, cheio de nada, e amanhã

by (1888–1935)

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Durmo, cheio de nada, e amanhã É, em meu coração, Qualquer coisa sem ser, pública e vã Dada a um público vão.

O sono! este mistério entre dois dias Que traz ao que não dorme À terra de aqui visões nuas, vazias, Num outro mundo enorme.

O sono! que cansaço me vem dar O que não mais me traz Que uma onda lenta, sempre a ressacar, Sobre o que a vida faz?!