Portuguese poem
Entre o luar e a folhagem
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Entre o luar e a folhagem, Entre o sossego e o arvoredo, Entre o ser noite e haver aragem Passa um segredo. Segue-o minha alma na passagem.
Ténue lembrança ou saudade, Princípio ou fim do que não foi, Não tem lugar, não tem verdade, Atrai e dói. Segue-o meu ser em liberdade.
Vazio encanto ébrio de si, Tristeza ou alegria o traz? O que sou dele a quem sorri? Nada é nem faz. Só de segui-lo me perdi.