Portuguese poem
O contra-símbolo
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Uma só luz sombreia o cais Há um som de barco que vai indo. Horror! Não nos vemos mais! A maresia vem subindo.
E o cheiro prateado a mar morto Cerra a atmosfera de pensar Até tomar-se este como porto E este cais a bruxulear
Um apeadeiro universal Onde cada um 'spera isolado Ao ruído - mar ou pinheiral? O expresso inútil atrasado.
E no desdobre da memória O viajante indefinido Ouve contar-se só a história Do cais morto do barco ido.