Portuguese poem
Ó naus felizes
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Ó naus felizes, que do mar vago Volveis enfim ao silêncio do porto Depois de tanto nocturno mal Meu coração é um morto lago, E à margem triste do lago morto Sonha um castelo medieval...
E nesse, onde sonha, castelo triste, Nem sabe saber a, de mãos formosas Sem gesto ou cor, triste castelã Que um porto além rumoroso existe, Donde as naus negras e silenciosas Se parten quando é no mar manhã...
Nem sequer sabe que há o, onde sonha, Castelo triste... Seu 'spírito monge Para nada externo é perto e real... E enquanto ela assim se esquece, tristonha, Regressam, velas no mar ao longe, As naus ao porto medieval...