Portuguese poem
Occidente
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Com duas mãos — o Acto e o Destino — Desvendámos. No mesmo gesto, ao céu Uma ergue o facho tremulo e divino E a outra afasta o véu.
Fosse a hora que haver ou a que havia A mão que ao Occidente o véu rasgou, Foi alma a Sciencia e corpo a Ousadia Da mão que desvendou.
Fosse Acaso, ou Vontade, ou Temporal A mão que ergueu o facho que luziu, Foi Deus a alma e o corpo Portugal Da mão que o conduziu.