Portuguese poem
Prece
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Senhor, a noite veio e a alma é vil. Tanta foi a tormenta e a vontade! Restam-nos hoje, no silencio hostil, O mar universal e a saudade.
Mas a chamma, que a vida em nós creou, Se — ainda ha vida ainda não é finda. O frio morto em cinzas a occultou: A mão do vento póde erguel-a ainda.
Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ancia—, Com que a chamma do exforço se remoça, E outra vez conquistemos a Distancia— Do mar ou outra, mas que seja nossa!