Portuguese poem
Tareja
by Fernando Pessoa (1888–1935)
As nações todas são mysterios. Cada uma é todo o mundo a sós. Ó mãe de reis e avó de imperios, Vella por nós!
Teu seio augusto amamentou Com bruta e natural certeza O que, imprevisto, Deus fadou. Por elle resa!
Dê tua prece outro destino A quem fadou o instincto teu! O homem que foi o teu menino Envelheceu.
Mas todo vivo é eterno infante Onde estás e não ha o dia. No antigo seio, vigilante, De novo o cria!