Portuguese poem
Trila na noite uma flauta
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Trila na noite uma flauta. É algum Pastor? Que importa? Perdida Série de notas vaga e sem sentido nenhum. Como a vida.
Sem nexo ou princípio ou fim ondeia A ária alada. Pbre ária fora de música e de voz, tão cheia De não ser nada!
Não há nexo ou fio por que se lembre aquela Ária, ao parar; E já ao ouvi-la sofro a saudade dela E o quando cessar.