Portuguese poem
Vai pelo cais fora um bulício de chegada próxima
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Vai pelo cais fora um bulício de chegada próxima, Começam chegando os primitivos da espera, Já ao longe o paquete de África se avoluma e esclarece.
Vim aqui para não esperar ninguém, Para ver os outros esperar, Para ser os outros todos a esperar, Para ser a esperança de todos os outros.
Trago um grande cansaço de ser tanta coisa. Chegam os retardatários do princípio, E de repente impaciento-me de esperar, de existir, de ser, Vou-me embora brusco e notável ao porteiro que me fita muit mas rapidamente.
Regresso à cidade como à liberdade.
Vale a pena sentir para ao menos deixar de sentir.