Portuguese poem
Ver-Te
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Estendi os meus braços p'ra abraçar-te E entre nós uma porta se cerrou. Um sôpro de rubins em mim voou, Sôpro que permitiu poder sonhar-te.
Saía a tua sombra p'las janelas E perdia-se, ao largo, em arvoredos... Os meus dedos scismando caravelas, Eram prolongamentos dos teus dedos.
Num parque de oliveiras te sonhei Erguendo-te do oiro que queimei Nas ânforas do templo do meu Ser.
Parece que te vejo e tu estás longe... Afastei-me de mim para ser monge... Meus olhos são a sombra de te ver!