Versos Portuguese Francisco Adolfo Coelho A romãzeira do macaco

Portuguese poem

A romãzeira do macaco

by (1847–1919)

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— Arranca a tua oliveira para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Justiça, prende o homem para que arranque a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Rei, tira a vara à justiça para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Rainha, põe-te de mal com o rei para ele tirar a vara à justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Rato, rói as fraldas à rainha para ela se pôr de mal com o rei, para ele tirar a vara à justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Ó gato come o rato para ele roer as fraldas à rainha, para ela se pôr de mal com o rei, para ele tirar a vara à justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Ó cão morde o gato para ele comer o rato, para ele roer as fraldas à rainha, para ela se pôr de mal com o rei, para ele tirar a vara à justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Pau, bate no cão para o cão morder o gato, para ele comer o rato, para ele roer as fraldas à rainha, para ela se pôr de mal com o rei, para ele tirar a vara à justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Lume, queima o pau para ele bater no cão, para o cão morder o gato, para ele comer o rato, para ele roer as fraldas à rainha, para ela se pôr de mal com o rei, para ele tirar a vara à justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Ó água, apaga o lume para ele queimar o pau, para ele bater no cão, para o cão morder o gato, para ele comer o rato, para ele roer as fraldas à rainha, para ela se pôr de mal com o rei, para ele tirar a vara à justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Ó boi, bebe a água para ela apagar o lume, para ele queimar o pau, para ele bater no cão, para o cão morder o gato, para ele comer o rato, para ele roer as fraldas à rainha, para ela se pôr de mal com o rei, para ele tirar a vara à justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Carniceiro, mata o boi para ele beber a água, para ela apagar o lume, para ele queimar o pau, para ele bater no cão, para o cão morder o gato, para ele comer o rato, para ele roer as fraldas à rainha, para ela se pôr de mal com o rei, para ele tirar a vara à justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Ó morte, leva o carniceiro para ele matar o boi, para ele beber a água, para ela apagar o lume, para ele queimar o pau, para ele bater no cão, para o cão morder o gato, para ele comer o rato, para ele roer as fraldas à rainha, para ela se pôr de mal com o rei, para ele tirar a vara à justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

— Não me leves que eu mato o boi.

— Não me mates que eu bebo a água.

— Não me bebas que eu apago o lume.

— Não me apagues que eu queimo o pau.

— Não me queimes que eu bato no cão.

— Não me batas que eu mordo o gato.

— Não me mordas que eu como o rato.

— Não me comas que eu roo as fraldas à rainha.

— Não me roas as fraldas que eu ponho-me de mal com o rei.

— Não te ponhas de mal comigo que eu tiro a vara à justiça.

— Não me tires a vara que prendo o homem.

— Não me prendas que eu arranco a oliveira.