Portuguese poem
II (E o espanhol viril, nobre e…)
E o espanhol viril, nobre e formoso, No bandolim Seus amores dizia mavioso, Cantando assim:
"Já me vou por mar em fora Daqui longe a mover guerra, Já me vou, deixando tudo, Meus amores, minha terra.
"Já me vou lidar em guerras, Vou-me à índia Ocidental; Hei de ter novos amores... De guerras... não temas ai.
"Não chores, não, tão coitada, Não chores por t'eu deixar; Não chores que assim me custa O pranto meu sofrear.
"Não chores! - sou como o Cid Partindo para a campanha; Não ceifarei tantos louros, Mas terei pena tamanha."
E a amante que assim o via Partir-se tão desditoso, — Vai, mas volta; lhe dizia: Volta, sim, vitorioso.
"Como o Cid, oh! crua sorte! Não me vou nesta campanha Guerrear contra o crescente, Porém sim contra os d'Espanha!
"Não me aterram; porém sinto Cerrar-se o meu coração, Sinto deixar-te, meu anjo, Meu prazer, minha afeição.
"Como é doce o romper d'alva, É-me doce o teu sorrir, Doce e puro, qual d'estrela De noite — o meigo luzir.
"Eram meus teus pensamentos, Teu prazer minha alegria, Doirada fonte d'encantos, Fonte da minha poesia.
"Vou-me longe, e o peito levo Rasgado de acerba dor, Mas comigo vão teus votos, Teus encantos, teu amor!
"Já me vou lidar em guerras, Vou-me à índia Ocidental; Hei de ter novos amores... De guerras... não temas ai."
Esta era a canção que acompanhava No bandolim, Tão triste, que triste não chorava Dizendo assim.