Portuguese poem
Menina e Moça
É leda a flor que desponta Sobre o talo melindroso, E o arrebento viçoso Crescendo em floreo tapiz; É doce o romper da aurora, Doce a luz da madrugada, Doce o luzir da alvorada, Doce, mimoso e feliz!
É bella a virgem risonha Com seus musicos accentos, Com seus virgens pensamentos, Com seus mimos infantis; Como quanto inceta a vida, Que á luz sorri da existencia, Que tem na sua innocencia Da mocidade o verniz.
Vinga a flor a pouco e pouco, Cada vez mais bem querida, Tem mais encantos, mais vida, Tem mais brilho, mais fulgor: De cada gota de orvalho Extrahe celeste perfume, E do sol no raio assume Cada vez mais viva côr.
Assin á virgem mimosa, Pouco e pouco, noite e dia, Mais viva flor de poesia Do rosto lhe tinge a côr; E um anjo nos meigos sonhos, Do seu peito na dormencia Derrama o odor da innocencia, Um doce raio de amor!
Porque tudo, quando nasce, Seja a luz da madrugada, Seja o romper da alvorada, Seja a virgem, seja a flor; Tem mais amor, tem mais vida, Como celeste feitura, Que sahe melindrosa e pura D’entre as mãos do creador.