Versos Portuguese Hans Christian Andersen Contos de Andersen/As galochas da felicidade

Portuguese poem

Contos de Andersen/As galochas da felicidade

by (1805–1875)

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“Oh se eu fosse rico!

“Oh se eu fosse rico! Quantas vezes, nos tempos da minha bela juventude, Quando as alegrias de jovem afugentavam as preocupações, Sonhava com riquezas e com a conquista de poder, Usando a espada, a pluma e um uniforme! As riquezas e as honras vinham para mim; No entanto a pobreza era minha maior riqueza: Ah, me ajudai e tende piedade de mim!

“Uma vez, nos dias de minha juventude, que eram alegres e livres, Uma jovem me amou; e seus doces beijos, Ricos em ternura, amor e pureza, Me ensinaram muito, ó que infortúnio! sobre a felicidade terrestre. Pobre garota! Ela só pensava na alegria juvenil; Ela não amava a riqueza, apenas os contos de fada e a mim. Ficai sabendo: ah, e tende piedade de mim!

“Oh se eu fosse rico! e para isso volto a rezar: Aquela menina é agora uma mulher, livre e bela, Como bons e belos são os anjos. Oh, se eu fosse rico na poesia dos que amam, Para contar meu conto de fadas, conceito mais puro de amor! Mas não; devo ficar em silêncio — porque sou pobre. Ah, tende piedade de mim?

“Oh se eu fosse rico na verdade e na paz, Não precisaria ficar lamentando a pobreza. A ti dedico as linhas desta dor; Porventura, conseguirás entender este conto triste? Uma folha onde relato os meus pesares — Uma história sombria, de uma noite mais sombria do destino. Ah, abençoai-me e tende piedade de mim!”