Portuguese poem
A uma crueldade formosa
by Jerónimo Baía (1620–1688)
A minha bela ingrata Cabelo de ouro tem, fronte de prata, De bronze o coração, de aço o peito; São os olhos reluzentes Por quem choro e suspiro, Desfeito em cinza, em lágrimas desfeito; Celestial safira, Os beiços são rubins, perlas os dentes; A lustrosa garganta De mármore polido; A mão de jaspe, de alabastro a planta. Que muito, pois, Cupido, Que tenha tal rigor tanta lindeza, As feições milagrosas, - Para igualar desdéns a formosuras - De preciosos metais, pedras preciosas, E de duros metais, de pedras duras?