Portuguese poem
A Alguém
by Lobo da Costa (1853–1888)
(Jaguarão, 1880.) Ó não me peças teu nome, Que fora um crime dizê-lo, A Deus só basta sabê-lo, Eu e ele - e mais ninguém. Ah! que tu mesma ignores O quanto em ti sonho e cismo. - Que há entre nós um abismo Que só Deus sabe-o também. Quando nas horas sombrias Da noite Invoco teu vulto, Por entre as trevas oculto, Oculto na solidão, Ainda assim, tremo e suspiro E tenho fundo receio Que m'o roubem do meu seio, Que o vejam no coração.
Pois desde o dia primeiro Em que te vi... fui cobarde. Quando busquei-te era tarde Nadava num mar de horror! Agora só restam trevas De um passado já desfeito, E tu vives no meu peito Como uma sombra de amor.