Portuguese poem
Ponderação do Tejo com Anarda
by Manuel Botelho de Oliveira (1636–1711)
Tejo formoso, teu rigor condeno, Quando despojas altamente impio Das lindas plantas o frondoso brio, Dos férteis campos o tributo ameno.
Nas amorosas lágrimas, que ordeno, Porque cresças em claro senhorio, Corres ingrato ao lagrimoso rio, Vás fugitivo com desdém sereno.
Oh como representa o desdenhoso Da bela Anarda teu cristal ativo, Neste, e naquele efeito lastimoso!
Em ti já vejo a Anarda, ó Tejo esquivo, Se teu cristal se ostenta rigoroso, Se teu cristal se mostra fugitivo.