Versos Portuguese Manuel dos Santos Donde vindes, doce Infante

Portuguese poem

Donde vindes, doce Infante

by (1672–1740)

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Donde vindes, doce Infante Como andais, que vida he a vossa? Eu sen vós morro entre penas? Vós sem mim vivo entre glorias?

Que mal sente o mal alheo, Quem mal ouve a quem bem chora, Que se os remedios vem tarde, Nunca as piedades vem promptas.

Depois que Adaõ foy cahido Que fizestes, que atègora Naõ vos movérão lamentos Da dor que nas queyxas soa.

Tantos tempos ha que espera Em vós o Mundo a melhora, Vós sem vir correndo o tempo Pella esperança sem conta.

Amor dizem vos incita A humanar vossa Pessoa, Mas sendo de amor a cauza, Como em vós só tem demoras!

Mas já sejaes muy bem vindo, Que bem sè foy traça nova, Porque em tão larga esperança, Compre o Mundo o bem que logra.

Estribillo.

Vinde cà meu brinco, Mais meu que atègora, Que apenas comprado Soes se quem vos compra.

Endechas.

Ora anday meu lindo, Correy, que sem nota Contra culpa, e pena Trazeis graça, e gloria.

Bem que vindes tarde Naõ tenhaes vergonha, Que se esquece a queyxa Quando o bem se logra.

Se teneis Menino A morte medonha Pela vossa vida Fica a morte morta.

Se vindes despido De celeste pomba A matar vos fica Essa pobre roupa.

Bem sè que sem culpa Chorais culpas nossas, Porque pagas fiquem A preços de aljofar.

Vinde jà comigo meus olhos Que quero que a sombra Veja o Sol nacido Antes que Alva rompa.

Naõ tardeis, que he tempo; Pois sempre amor nota, Que a fineza he breve Se a tardança he longa.