Portuguese poem
Sambinha
by Mário de Andrade (1893–1945)
Vêm duas costureirinhas pela rua das Palmeiras .. Afobadas braços-dados depressinha Bonitas, Senhor! que até dão vontade pros homens da rua. As costureirinhas vão explorando perigos. Vestido é de seda. Roupa-branca é de morim.
Falando conversas fiadas As duas costureirinhas passam por mim. «Você vai ? » «Não vou não». Parece que a rua parou pra escuta-las. Nem os trilhos sapecas Jogam mais bondes um pro outro. E o Sol da tardinha de Abril Espia entre as palpebras sapiroquentas de duas nuvens. As nuvens são vermelhas. A tardinha é cor-de-rosa.
Fiquei querendo bem aquellas duas costureirinhas... Fizeram-me peito batendo Tão bonitas tão modernas tão brasileiras ! Isto é... Uma era italo-brasileira. Outra era africo-brasileira. Uma era branca. Outra era preta.