Portuguese poem
Vinha de Nabot
by Olavo Bilac (1865–1918)
Maldito aquele dia, em que abriste em meu seio, Cruel, esta paixão, como, ampla e iluminada, Uma clareira verde, aberta ao sol, no meio Da espessa escuridão de uma selva cerrada!
Ah! três vezes maldito o amor que me avassala, E me obriga a viver dentro de um pesadelo, Louco! por toda a parte ouvindo a tua fala, Vendo por toda a parte a cor do teu cabelo!
De teu colo no vale embalsamado e puro Nunca descansarei, como num paraíso, Sob a tenda aromal desse cabelo escuro, Olhando o teu olhar, sorrindo ao teu sorriso.
Desvairas-me a razão, tiras-me a calma e o sono! Nunca te possuirei, bela e invejada vinha, Ó Vinha de Nabot que tanto ambiciono! Ó alma que procuro e nunca serás minha!