Versos Portuguese Pedro de Escobar Passame por Dios barquero

Portuguese poem

Passame por Dios barquero

by (1465–1600)

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(Cancioneiro de Elvas) Passame por Dios barq̃ro, daquella parte del rio, duelete del amor mio.

Que si pones dilacion En venir a socorrerme No podrás depues valerme Segun crece mi passion. No quieras mi perdicion Pues en tu bondad confio Duelete del amor mio.

(Cancioneiro de Lisboa) Passame por Dios Barquero daquella parte del Rio. duelete del dolor mio.

Que se puenes dilaciõ en uenir a socorrerme. non podras despues valerme segũ cresce mi passion No queras mi perdiçion pues en tu bondad confio: duelete del dolor mio.

(Cancioneiro de Palácio) pasame por dios varq̃ro daq̃sa parte del rrio duelete del dolor mio

q̃ si pones dilaçiõ ẽ venir a socorrerme no podras despues valerme segũ mi grave pasiõ no q̃eras mi ᵱdiçion pues ẽ tu bondad cõfio duelete del dolor mio

que desa parte se falla descanso de mis tormẽtos y en aquesta la batalla de mis tristes ᵱdimiºs o ventura trae los viẽtos homildes mãsos sin brio duelete [del dolor mio]

por que desa parte esta gloria descanso holgura y en esta do sto aca congoxa penas tristura pues no niegues la ventura questa puesta en tu navio duelete del dolor mio.

lo que la ventura ordena inposible es rremediar por dar aliuio a tu pena quisierate aca pasar mas esta triste cadena tiene preso mi navio duelete [del dolor mio]

desata o quiebra varquero la cadena o el candado pues me vees tan penado no te muestres lastimero sy no hases lo que quiero coharme en este rrio duelete [del dolor mio]

no dilates la partida siente por dios lo q̃ siento q̃ mayor es el tormento q̃ pareçe la herida no detardes la venida porq̃n tardarse el navio tardase el rremedio mio.

(Tradução) Passa-me, por Deus, barqueiro Desta parte do rio, Tem dó da minha dor.

Que se te demoras Em vir a socorrer-me, Não poderás depois valer-me Segundo cresce a minha paixão. Não queiras a minha perdição Pois na tua bondade confio, Tem dó da minha dor.

Que dessa parte se encontra Descanso de meus tormentos, E nesta a batalha De meus tristes perdimentos. Oh Ventura, traz os ventos Humildes, mansos, sem vigor, Tem dó da minha dor.

Porque dessa parte está Glória, descanso, folgança, E nesta, cá onde estou Angústia, penas, tristura. Pois não negues a ventura Que está posta em teu navio, Tem dó da minha dor.

O que a Ventura ordena Impossível é remediar, Por dar alívio à tua pena Quisera-te cá passar. Mas esta triste corrente Tem preso o meu navio… Tem dó da minha dor.

Desata ou quebra barqueiro A corrente ou o cadeado, Pois me vês tão penado Não te mostres lastimoso. Se não fazes o que quero Colher-me neste rio, Tem dó da minha dor.

Não demores a partida Sente, por Deus, o que sinto, Que maior é o tormento Que parece a ferida. Não atrases a vinda Porque ao tardar-se o navio, Tarda-se o meu remédio.