Versos Portuguese Raimundo António de Bulhão Pato A M.Me Lotti

Portuguese poem

A M.Me Lotti

by (1828–1912)

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Na noite em que cedeu o producto do seu beneficio a favor de um asylo de infancia desvallida.

Canta oh! canta alma inspirada, Que jámais na tua vida Tiveste a fronte cingida Dos loiros que hoje vais ter. Canta: os prantos da orfandade, Á tua voz seductora, Se vão convertendo agora Em sorrisos de prazer!

Oh! jámais em teus triumphos Quando erguendo o rosto altivo, A teus pés tinhas captivo O poder da multidão, Jámais sentiste no peito Entre o rumor delirante, Batter, como neste instante, De enthusiasmo o coração!

Cada nota que desprendas Terá um eco no empyreo, Por que as palmas do martyrio Em rosas vais transformar. Oh! bem haja a Providencia Que na tua voz divina Poz a graça que fascina, E o condão de consolar!

Quando no giro brilhante Da tua crescente gloria, Te venha um dia á memoria Esta noite triumphal, Pára, escuta, e docemente Sentirás no teu ouvido, Um murmurio agradecido De ternura filial.

São elles os desherdados, Os que já sem lar paterno Erguem preces ao Eterno, E bençãos por teu amor; São elles a quem um dia Com teu inspirado canto Tornaste em sorriso o pranto, Em pura alegria a dor!

1860.