Versos Portuguese Raimundo António de Bulhão Pato Amanhã!

Portuguese poem

Amanhã!

by (1828–1912)

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Resta um dia, mais um dia, Algumas horas ainda De amor, de ternura infinda! Amanhã nos olhos teus, Uma lagrima sentida; Em teus labios, um adeus!

O instante da despedida Tão perto está!... Minha vida, Crava teus olhos nos meus, Um sorriso, um beijo ainda, Mais um'hora de ternura, De amor, de alegria infinda Antes d'esse longo adeus!

Adeus de tanta amargura! Sabe Deus! oh! sabe Deus, Quando outros dias virão, Tão gratos ao coração! Quando nessa face linda Verei sorrir a ventura; Mas agora um beijo ainda Antes que chegue o momento De soltar o extremo adeus!

Oh! tira do pensamento, A hora da despedida; Mais um instante de vida, De delicia e gloria infinda!...

Amanhã!... ai! não te lembres De tal dia de amargura! Crava teus olhos nos meus; Inda um'hora de ventura, De amor, de alegria infinda Sorrindo nos olhos teus: Um beijo, mais outro ainda, O derradeiro: oh! adeus!

Abril de 1857.