Portuguese poem
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by Raul Sangreman Proença (1884–1941)
Nosso amor começou a quando o Outono, Quando as arv'res se despem da folhagem, Numa tristeza amarga que faz sôno, E mais fria e mais muda é a paisagem.
Começou quando avança a Sombra triste, E foi a brisa arripiante e agreste Que trouxe essas palavras que proferiste E o primeiro sorriso que me déste.
Que admira pois que o nosso amor tão largo Seja mais infeliz que um rei sem throno, Se o trouxe o Inverno no inicial lethargo?!
E temendo-o... eu desejo-o e ambiciôno-o, Como te quero, ó lindo sonho amargo! Como te amo, meu pobre amor do outono!
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Por isso toma estas florinhas bravas, Esta simples poesia humilde e agreste, Como os versos d'amor que me inspiravas!
E se quizeres saber quem é Leonor, O perfil que tracei com singeleza, Mas com um grande, co'um profundo amor,
Não me perguntes, não, Mulher celeste; Vae perguntá-lo á voz com que falavas, Vae perguntá-lo aos beijos que me déste.
Ás almas simples, singélas, Que teem o Amor por norma, E amam a luz das estrêlas E têm a paixão da Fórma;
Ás almas suaves, mimosas, Docemente espirituaes, Como as grinaldas de rosas, E as floras tropicaes;
Áquêles que têm amado, Em longas noites serenas, Um olhar aveludado E umas brancas mãos pequenas;
Ás que indo de fronte calma No caminho da Illusão, Construem ninhos na alma E poemas no coração;
A vós a historia, ó Formosas, D'um grande amor infeliz, A vós, camelias mimosas, A vós, violetas gentis!