Portuguese poem
Eu queria, mas eu tenho vergonha
by Sapateiro Silva (1790–1850)
Eu queria, mas eu tenho vergonha De dar e conhecer a minha tolice; Deixamos de fazer a parvoíce, Que havia de feder mais do que a peçonha.
Mas que importa que outro se me oponha Por querer ser pateta, ou ser felice, Se comigo assentei por fontorrice Ser hoje o grande Duque de Borgonha?
Já contente no meu gaudério estado Tenho fardas, palácios, e dinheiro: Já não peço a ninguém nada emprestado.
Porém leve o diabo o meu roteiro, Que apesar das farófias do Ducado, Todos me lêem nas costas — sapateiro.