Portuguese poem
Diz Dom Beltrão
by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
—Não deve deixar passar Tam gran’ mal sem o prover, Porque deve de cuidar Se seu filho nos mattar, Quem nos deve defender? E mais lhe faço saber Porque esteja apparelhado, Se justiça não fizer, Que o marquez tem jurado De por armas a fazer. O mui valente e temido Reinaldo de Montalvão Entre todos escolhido Está bem apercebido Como geral capitão. Dom Chrisão e Aguilante Com o forte Dom Guarinos, E o valente Montesinos, Primo do morto infante, Primo de elrei Dom Salinos, E o mui grande rei Jaião, De Dom Reinaldos cunhado, E o esforçado Dudão, E o gran’ duque de Milão, E Dom Richarte esforçado, O marquez Dom Oliveiros, E o famoso Durandarte, E o infante Dom Gaifeiros, E o mui forte Ricardo, E outros fortes cavalheiros, Todos têem boa vontade De ajudar ao marquez Em essa necessidade; Porque foi gran’ crueldade A que vosso filho fez. Evitae, senhor, tal damno, Pois que sois juiz sem par; Não vos mostreis inhumano, Acordae-vos de Trajano Em a justiça guardar. Assim que, alto, esclarecido, Poderoso sem egual, O que fez tam grande mal Bem merece ser punido Por seu mandado imperial. E pois, senhor, hei proposto A causa porque viemos, E sabeis o que queremos, Mandae-nos dar a resposta Com que ao marquez tornemos.
More by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
- Diz A Imperatriz
- Diz A Imperatriz
- Diz A Mãe
- Diz Beltrão
- Diz Ganalão
- Diz Hermelinda
- Diz Hermelinda Ao Imperador
- Diz O Duque Á Embaixada
All 225 poems by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett