Portuguese poem
Falla O Imperador
by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
—Senhora, não duvideis, Que eu farei o que hei jurado, Se é verdade o que dizeis, Porque cumpre a meu estado De fazer o que quereis: Que mais quero ter commigo Fama de regoridade, Que deixar de ter castigo, Quem commetteu tal maldade. Para que é ser caudilho De tanto povo e tam grado, E imperador chamado, Se não julgasse meu filho Como qualquer estragado? Não cuidem duques nem reis Que, por meu herdeiro ser, Que por isso hade viver: Que aquelle que faz as leis É obrigado a as manter. Assim que, por bem querer, Amizade nem respeito, Como agora sohem fazer, Não heide negar direito A quem direito tiver. E bem vos podeis tornar, Fazei certo o que dissestes E não tomeis tal pezar, Porque o bem que ja perdestes Não o cobrais com chorar.
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