Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Falla Reinaldos

Portuguese poem

Falla Reinaldos

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—Senhor, não seja espantado De ver-me assim d’esta sorte, Porque com todo o cuidado Ganalão, vosso cunhado, Sempre me procura a morte. Bem sabeis que sem razão, Com vontade mui maligna Fez mattar com gran’ traição A Tiranes e Erocina, E ao feito Salião, E a mim ja quiz mattar Muitas vezes com maldade; E para mais me danar, Fez á sua majestade Mil vezes me desterrar. O grande mal que me quer De todo o mundo é sabido, E por isso quiz trazer Armas para offender, Antes que ser offendido. Mas deixando isto assim Guardado p’ra seu logar, Onde se hade vingar, Vos quero, senhor, contar. Notorio a todo o christão É o pezar lastimoso Do marquez Danes Ogeiro, Que tem, com justa razão, Pela morte do herdeiro. N’esta nobre côrte estão Muitos mui nobres senhores Que sabem que Dom Beltrão E o nobre duque Amão Foram seus embaixadores: Tambem este é sabedor Das respostas que lhe destes, E mais de como prendestes Vosso filho successor. Do qual está mui contente De te-lo pôsto em prizão; E tem mui grande razão, Porque na carta presente, A qual fez de sua mão, Confessa toda a traição. E um pagem a levava Para o conde Dom Roldão, Que na cidade de Boava Faz a sua habitação. E como não ha falsia Que se possa esconder, Tinha o marquez espia, Porque queria saber O que Dom Roldão faria. Esse pagem imbuçado, Sem suspeita e sem revez, Ia mui determinado: Onde logo foi tomado E levado ao marquez. Lendo a carta Dom Guarinos, N’ella contava a tenção Porque o mattára á traição. Isto é, senhor, a verdade, E o que vos manda dizer: Se o que digo é falsidade, (Que por isso a quiz trazer) A lettra é bom conhecer, Que é este o seu signal. Pois, quem fez tam grande mal Bem merece padecer Morte justa corporal.