Portuguese poem
O Archanjo Do Christianismo
Salve, dia que meigo fulguras Despontando no mundo sem véo! Salve, estrella d'amor e venturas Que resurges formosa no céo!
Pura e bella surgíras outr'ora, Densa nevoa cobriu tua luz; Pura e bella resurges agora, Vem reinar sobre os homens, ó cruz!
Vem remil-os da negra maldade, Vem na face do mundo luzir, Vem trazer-lhes a luz da verdade, Que o Messias lançou no porvir!
Era o anjo das trevas maldito, Quem do mundo regía as nações; Foi o Verbo, o Messias predicto, Que desceu a partir seus grilhões.
Novas crenças brotando dos labios Revelou em seu Pae um Deus só, E, caladas as vozes dos sabios, Falsos deuses cahiram no pó.
Viu as gentes sepultas no crime, E eis que armado d'augusta missão Deu lições de virtude sublime, D'innocencia, d'amor, e perdão.
Ensinou a brandura ao tyranno, Ao soberbo dos justos a lei; Ao avaro bradou:--sê humano! E ao perverso e ao impio:--tremei!
Deu ao fraco palavras de vida, Deu ao triste consolos na dôr, Deu a todos a esp'rança perdida D'outro reino de paz e d'amor.
E cumprindo do mundo a sentença No tormento da cruz expirou; Mas com sangue d'um Deus sua crença Sobre a terra gravada ficou.
Do Calvario, librado nas pennas, A mil povos com ella voei; Mil corôas teci d'açucenas, Com que tantos martyrios ornei.
Foi então... dá-me queixas, ó lyra, Dá-me notas de fundo pezar... Christo, ó Christo, a calumnia, a mentira, Ai! ousaram teu Verbo ultrajar.
Teus ministros, sem fé na verdade, Renegaram da sancta missão, E entregaram a lei da igualdade Aos tyrannos, á voz da ambição.
Logo o facho sangrento da guerra Accenderam com impio furor, E em teu nome cobriram a terra D'exterminio, de sangue, e d'horror.
D'ouro e sangue mantendo seus vicios Teus preceitos calcaram no pó; E mil scenas de horrendos supplicios Ostentaram ao mundo sem dó.
Então eu á celeste morada D'entre os homens voando subi, E a teus pés com a fronte curvada Largas eras, ó Christo, gemi.
Mas das trevas não pôde o combate Apagar o teu astro de luz: Aos captivos, signal do resgate, Eil-o surge brilhante na cruz.
Povos, povos, seccae vosso pranto! Levantae-vos do leito da dôr! Terra, entôa de novo o teu canto, Doce canto de paz e d'amor!
Da maldade, dos odios, da guerra, Para sempre o reinado morreu. Paz aos homens na face da terra! Gloria a Deus nas alturas do céo!