Portuguese poem
O Filho Morto
No povo d'além da serra Vai a noite em mais de meio, E a pobre da mãe velava Unindo o filhinho ao seio.
«Acorda, meu filho, acorda, «Que esse dormir não é teu; «É como o somno da morte «O somno que a ti desceu.
«Tarda-me já um sorriso «Nos teus labios de rubim; «Acorda, meu filho, acorda, «Sorri-te ledo p'ra mim.»
Mas o infante moribundo Em seu regaço expirou; E a mãe o cobriu de beijos, E largo tempo chorou.
Em seu pequeno jazigo Dous dias chorou tambem; Ao terceiro o sino triste Dobrou á morte d'alguem.
E á noite no cemiterio Outro jazigo se via: Era a mãe que ao pé do filho Na sepultura dormia.