Portuguese poem
Como um grande borrão de fogo sujo
by Alberto Caeiro (1888–1935)
Como um grande borrão de fogo sujo O sol posto demora-se nas nuvens que ficam. Vem um silvo vago de longe na tarde muito calma. Deve ser dum comboio longínquo.
Neste momento vem-me uma vaga saudade E um vago desejo plácido Que aparece e desaparece.
Também às vezes, à flor dos ribeiros, Formam-se bolhas na água Que nascem e se desmancham E não têm sentido nenhum Salvo serem bolhas de água Que nascem e se desmancham.