Portuguese poem
No meu prato que mistura de Natureza!
by Alberto Caeiro (1888–1935)
No meu prato que mistura de Natureza! As minhas irmãs as plantas, As companheiras das fontes, as santas A quem ninguém reza...
E cortam-se e vêm à nossa mesa E nos hotéis os hóspedes ruidosos, Que chegam com correias tendo mantas Pedem «Salada», descuidosos..., Sem pensar que exigem à Terra-Mãe A sua frescura e os seus filhos primeiros, As primeiras verdes palavras que ela tem, As primeiras coisas vivas e irisantes Que Noé viu Quando as águas desceram e o cimo dos montes Verde e alagado surgiu E no ar por onde a pomba apareceu O arco-íris se esbateu...