Versos Portuguese Alberto Caeiro Quem me dera que eu fosse o pó da estrada

Portuguese poem

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada

by (1888–1935)

Listen in the reader

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio E tivesse só o céu por cima e a água por baixo. . .

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida Olhando para trás de si e tendo pena...