Portuguese poem
Amor de filha
by Alberto Pimentel (1849–1925)
Eu d'ella nem sei mesmo o que se diga!... Só para si vivia... Amor's não tinha... Se a pobre rapariga Nem á janella vinha!...
A's noites junto á meza costumava. De dia a mesma coisa... a trabalhar!.., Bordado não deixava Sem primeiro acabar...
A costura de pranto rociada Era espelho, onde eu via a sua alma... De trabalhar cançada Martyr ganhaya a palma!
Nem de noite deixava a sua agulha! Nem por alva largava o seu dedal!... E em pranto se mergulha Aquelle rosto oval!...
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