Versos Portuguese Alessandro Manzoni Pedro de Alcantara

Portuguese poem

Pedro de Alcantara

by (1785–1873)

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ORREU, e, qual marmoreo,

Sôlto o postremo alento, O corpo jaz exanime Orpham d'um tal portento ; Assim surpresa, attonita A terra co'a nova está,

Muda pensando na última Hora do homem fatal, Nem sabe se tão célebre Planta de pé mortal Seu pó de sangue avido Inda pisar virá.

Fulgido sobre o solio Meu genio o viu ; calou-se. Quando, por vezes várias, Cahiu, surgiu, prostrou-se, A minha voz d'innumeras Ouvido não terá.

Virgem de vil encómio E de covarde insulto Surge abalado ao subito Finar do ingente vulto, E sólta á urna um cantico Immorredor quissá.

Dos Alpes ás Pyramides Do Manzanar ao Rheno Elle fuzila ; e rapido Raio é o seu aceno. Troou de Scilla ao Tanais, D'um até outro mar.

Foi véra gloria ? Aos posteros A ardua sentença : a nós Curvar a fronte ao Maximo Factor, que d'elle apoz Quiz de Seu Almo Espirito Rasto maior deixar.

O procelloso e trépido Prazer d'um grande plano, A ância de quem indomito Serve p'ra ser sob'rano, E o é; e ganha um prémio, Que era mania esp'rar;

Tudo provou : a glória Maior depois dos trances ; A fuga, e a victória ; Do paço e exilio os lances; Duas vezes no pó infimo Duas vezes sôbre o altar.

Seu nome diz; dous seculos Um contra o outro armado, Humildes vão render-se-lhe, Como aguardando o fado. Impôz silencio, e árbitro Entre elles se sentou.

E foi-se. E os dias no ocio Em praia exigua finda; Alvo de inveja livida, E de piedade infinda; D'inextinguivel ódio, E amor, que não mudou.

Como a cabeça ao náufrago A onda vérga e envolve; Onda na qual o misero De cima a vista volve E a divisar esforça-se Praia remota em vão ;

Tal da memória o cúmulo Sôbre aquella alma cai. Que vezes elle aos posteros A si narrar-se vai, E sôbre a eterna página Tomba a cansada mão !

Que vezes elle, ao tacito Morrer d'ignavo dia, Baixo o olhar fulmineo, Braços cruzados, via Os dias, que já foram-se, A mente lh' assaltar !

As móveis tendas lembram-lhe, Dos muros os abalos, Dos sabres os relampagos, A onda dos cavallos ; O concitado imperio, O prompto obedecer.

Talvez ao cru martyrio Cedeu o forte seio ; Desesperou; mas válido Braço celeste veio, E para um ar mais limpido Piedoso o transportou.

E guia-o pelos flóridos Trilhos da esperança, Ao campo eterno, ao prémio Que alem do almejo avança, Önde é noite, é silencio A glória, que passou.

Bella, immortal, benefica Fé a vencer affeita; Inda isto escreve : alegra- te ; Que alteza mais eleita Ao deshonor do Golgotha Jamais se prosternou.

Tu d'estas cinzas frigidas O ímpio fallar isola. Deus, que te abate e eleva-te, Que afflige-te e consola, Sobre o deserto thalamo Ao lado seu pousou.