Versos Portuguese Alexandre José de Melo Morais Filho M. F. Poe. 1

Portuguese poem

M. F. Poe. 1

by (1844–1919)

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Existe n’uma collina, Pelas margens do Portel, Um encanto que sorprende O viajor no batel. Se ao largo singra uma igára, Se perto voga a canôa, O remador se benzendo Dobra o joelho na proa.

Fundo inysterio!.. Quem póde Sondar um mysterio... Quem? Ao alto nem de pensal-o Chegar inda ousou ninguem. A cachoeira assombrada, Que acima rolando medra, Batendo o corpo no rio Se agarra de pedra em pedra !

Ha um prestigio! De noite, Na correnteza fremente, Da montanha se desdobra Crespa estrella reflectente. E’ horrendo esse lampejo Da phosphorica luzernal Parece o rio um fantasma Que errando accende a lanterna.

Desse pico incendiado Ao fundo da bruma clara, Não vê-se a chamma que alenta O facho que o rio aclara. As aves piam nos ares, Sobre a vaga que transluz... E os patos bravos sacodem Das azas gottas de luz!

Diz o povo que a mãi d’agua Lá vive nessa cimeira, N’um palacio d’ouro fino A’ borda da ribanceira... E quando o rio se veste Desse clarão que fascina E’ que o paço em que ella habita Todo inteiro se illumina.