Portuguese poem
M. F. Poe. 6
by Alexandre José de Melo Morais Filho (1844–1919)
E’ caboclinho feio, Alta noite na mata a assoviar ; Quando alguem o encontra nas estradas Saltando encruzilhadas, Se põe a esconjurar !
E’ alma de um Tapuio Fazendo diabruras no sertão... Cavalgando o queixada mais bravio, Transpõe valles e rio Com um cachimbo na mão !
Assombro das manadas, Enreda a onça em moitas de cipó ; De montanha em montanha vai pulando, Vai quasi que voando, Suspenso n’um pé só !
Ao pobre viandante Assombra e ataca em meio do caminho ; E pede fumo e fogo, e sem demora Lhe mostra a Caipora Seu negro cachimbinho.
Servido no que pede, A contas justas, safa-se a correr... Do contrario, se fica descontente, De cocegas a gente Faz rir até morrer.
E’ caboclinho feio, Alta noite na mata a assoviar ; No norte, diz o povo convencido : — Não indo prevenido Não é bom viajar !